quinta-feira, julho 16, 2009

Coisa escondida

Porque foste coisa escondida,
nunca me foi dado o direito
ao teu luto, nem te pude
jogar flores à sepultura
ou questionar de ti
a iminência do fim.
Não me foi concedido
chorar tua ausência amparada
por ombro qualquer,
nem vestir negro,
nem adentrar o barco da tua
última viagem.

Porque a ilusão é sempre uma morte
mais anunciada que acreditada,
caminhei sozinha
ao cadafalso e sorri
um sorriso sem medidas
aos algozes de olhos desprovidos
do mais humano dos medos,
o da remota possibilidade do erro.

É que amar é vida sem tamanhos,
fronteira e não limite,
morte por escolha e entrega.
É que luto de amor
é vitória sobre a indiferença,
acordar depois da anestesia,
merecer a eternidade.
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Texto: CeciLia Cassal
Imagem: Metades Caras, Wagner Cassal

domingo, junho 28, 2009

Missivas do Porto e do Rio

Só quando transgrido alguma ordem
o futuro torna-se respirável.
Mario Benedetti
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Toda a redenção é vã.
Adoraria ser filha do vento,
Não há perdão na Palavra, assumo.
mas vim sob a insígnia do tempo:
Ainda assim, a letra é o que me cabe neste labirinto.
assim sigo, sendo em mutação.
Abdico de fios, sementes ou migalhas que
É sobre a terra e sob a sombra que
remotamente possam conduzir-me à saída.
encontro a fecundidade do que posso vir a ser.
Escrevo para perder-me.

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(Texto: CeciLia Cassal / Eliza Maciel -
imagem: HUDSON PONTES - RJ - Baía de Guanabara ao entardecer )
.
Isto é um convite. Uma proposta. Uma notícia. Quase uma ameaça. Quando o Porto-quase-sempre-Alegre e o Rio-de-Janeiro-que-continua-lindo encontraram-se em junho, inauguraram uma Esquina na Lua chamada Missivas do Porto e do Rio. Nem desacato na esquina, tampouco uma lua orbitando em libra. Apenas duas amigas que escrevem cartas e transgridem na exposição possível: a da palavra. Desde já, você está convidado. Sente-se no cais. Deixe as pernas balançando sobre as águas. E pense com a gente. Interfira, dê palpites, pitacos, sugestões. Entre de sola, sem sola, se jogue na água, braceie, mergulhe. Volte à tona com um peixe. Deixe-o escapar. Seja como for, no fim riremos juntos. Ou não.

quarta-feira, junho 24, 2009

Das permissões não concebidas



Eu preciso inaugurar em ti um espaço ainda intocado, ela sussurrava. É preciso que descerre, desnude, desvende, ilumine qualquer canto teu como um raio de sol que, entrando por uma fresta insuspeita, desvelasse uma escultura há muito encoberta pela poeira. Dizendo isso, ela enxergaria as partículas refringindo na luz e acreditaria no caminho que a luz faz e que torna possível a existência das coisas obscuras. Eu preciso ensinar-te uma nova língua que em breve será código, inventar uma carícia que te arrebate à sombra, entoar uma música que vibre teus cristais e altere o rito. Ela dizia essas coisas todas e procurava nele uma confirmação que remotamente a fizesse entender uma permissão.

Do fundo de um ceticismo recém conquistado, ele, solene, duvidava.
(Texto e Imagem: CeciLia Cassal)

domingo, junho 21, 2009

Desencontros

.
.
Por ser o Amor previsível e cordato

na noite fria esperara-o

a pimenta vermelha decorando

a flor de ervilhas do prato.


Mas porque também se mostrava

renitente e um pouquinho inexato

o Amor naquela noite

demorou-se a decidir.


De modo que - tão logo

ele tinha chegado -

ela acabara de sair.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem: Carlos Costa Branco)

quinta-feira, junho 11, 2009

Ressurreição

(Texto e Imagem: CeciLia Cassal - Edição de Imagem: Wagner Cassal)


quinta-feira, maio 21, 2009

Viejos




“cada ciudad puede ser otra


cuando el amor pinta los muros


y de los rostros que atardecen


uno es el rostro del amor”
Mario Benedetti



- ¿Que buscás, en este lugar de viejos?

Sendo ele um entre os outros de similares vestimentas e atitudes, acostumei-me à sua presença naquele local. Sentava-se em uma das mesas que tinham um cinzeiro metálico ocupando uma espécie de nicho redondo central e ficavam próximas do balcão alto de cedro envelhecido. Possuía um acento na língua que era o mesmo do lugar, mas que era também diferente.


- ¿Que buscás, en este lugar de viejos? Repetiu a pergunta e pediu uma permissão que a minha timidez não chegou a dar. Sentou-se. Estivera naquele café todos os finais das manhãs dos últimos dois meses. A media-luna-cafe-y-leche faria as vezes de desjejum e almoço antes do início pontual das aulas às treze, na Faculdade de História. Como sabia jamais conseguir começar um dia direito antes de ter esgotado ao menos meio termo de mate, escolhi o turno da tarde para os estudos, que mesclavam o idioma de Cervantes à pesquisa de particularidades sobre os vinte e três povos da banda ocidental do Uruguay, a quem dedicaria em breve o trabalho de conclusão de curso. Mas estas eram as referências formais, os argumentos que eu dera à vida, antes de deixar atrás família, trabalho, amigos. Precisava descobrir algo e aquele “bar de viejos” era a minha referência, quando a solidão e a saudade ficavam impossíveis de conter nas mãos, ou seja, todos os dias. Daquele lugar e, saberia mais tarde, de toda a vida. Gostava de ouvir as histórias que repetiam, sem que se suspeitassem ouvidos. Desde o primeiro dia que atravessei os paralelepípedos da Ituzaingó, partindo do hotel barato onde me hospedava na ladeira que iria chegar ao porto e, logo além, ao velho mercado público, escolhia sempre a mesa ao lado de uma das janelas que viam a calçada, em parte para fugir da fumaça dos cigarros e, em outra, do cheiro antigo do lugar, que paradoxalmente enchia-me de acolhimento e me agravava as crises de uma asma recém-inaugurada. Renovavam-se os grupos, mantinham-se os temas. A política, a economia, os feriados agrícolas, o projeto de lei que permitiria desapropriações e a extensão da rambla costeira no sentido norte, até o bairro onde depois se construiria a ala nova e abastada da cidade, uma ou outra reminiscência ou queixume de amor. Preenchiam-me.

Nas semanas seguintes, num acordo tácito, compartilharíamos a mesa. Em troca de que não fumasse, eu trazia para ele bombons recheados de creme de café comprados em um único quiosco na rua que ladeava a catedral. Contaria que, sendo aquele o seu país, ainda assim era também um quase-estrangeiro. Havia retornado depois de muitos anos, um projeto político ou cultural que não compreendi direito. Aliás, era isso o que quase sempre acontecia. Perdia-me na sonoridade da fala, no timbre um pouco rouco da voz. Desconectada do sentido do que estava sendo dito, enroscava-me no som. Como quem tem muito a dizer, ele não falava lento. Interrompia-se frequentemente para cumprimentar outros, tinha muitos amigos. A cada vez, tirava da valise um livro diferente de onde lia para mim parágrafos inteiros. Livros seus e de outros. Por vezes, indagava das minhas leituras e criticava minhas escolhas, alertando-me sobre as tendências políticas de cada um dos escolhidos. Mas era A Voz. A voz atravessando a distância da mesa. Poderia ensinar-me muito mais do que o curso, eu tinha essa consciência. Mas não conseguia. Aquele ritmo não permitia. A voz dominava tudo. Por vezes conservava fragmentos, para que pudesse pensar neles depois das aulas.

Na penúltima quinta-feira do terceiro mês, a mesa da janela esteve silenciosa. O inverno mostrava seus dentes e um vento polar cortava a ladeira, subindo desde o mar até a Plaza Matriz. Quando estava por sair, Elvira entregou-me o papel.

“No derrames sobre mi tus ojos


Soy viejo y tengo los dedos artrosados.


Si acostumbrarme a tu presencia,


después las mañanas quedarán


más frías.


Tuyo,


M.”

Comecei a desejar ser mais velha, ter lido mais. Muito mais. Conseguir impressioná-lo com algo que ele ainda não soubesse. Não adiantava, era uma apenas uma estudante tonta, com parcos conhecimentos do que quer que fosse. Nas semanas seguintes, à medida que nossa amizade aumentava, desejei que as aulas iniciassem mais tarde. Da janela do hotel, não raras vezes surpreendia-me cuidando a rua e sua chegada ao café. Esperava pelos dias de vê-lo como se deles dependessem as respostas para as perguntas que eu sequer havia elaborado. Ainda. Elas viriam depois, no curso da vida, que naquele momento se contava por dois dias. Preciosos dias. O calendário era feito de terças e quintas-feiras.

Nas últimas duas semanas do quarto mês, ele não apareceu. Então, as conversas dos velhos aborreciam-me. Mesmo Elvira, com sua delicadeza em servir-me dia após dia sempre o mesmo pedido, parecia outra. Os navios coloridos que se alternavam no porto e o ruído alegre das bancas do mercado já não pareciam atrativos. O trabalho tornara-se uma teia sem inicio ou fim, um labirinto de informações desimportantes demais, desconexas demais, criticáveis demais. De qualquer maneira, as informações estavam todas ali e eram tudo de que necessitava para concluí-lo. Aproximava-se o dia de subir as escadas do avião de retorno. Tudo o que precisava era não pensar. Manter a rotina, cuidado indispensável de não queimar navios.

Quando ele apareceu já eram doze-e-um-quarto. Na mão esquerda, a pasta escura de sempre. Na direita, escondida atrás do sobretudo, uma gérbera. Vermelha. Somente uma. Explicou-me da ausência, da necessidade que teve de viajar repentinamente, então silenciou. Olhava a chuva através do vidro e pela primeira vez não leu. Apontou o paraguas e ofereceu-se para acompanhar-me até o Instituto. Beijou-me um gosto de dor e despedida, depois sorriu pela metade:
“tu juventud no merece esta melancolia.”


(Texto: CeciLia Cassal - Imagem: Ricardo Furtado)

quarta-feira, abril 29, 2009

Os Amantes

Escondiam suas senhas nas mangas das palavras para sacá-las, poderosos ases, no silêncio da noite grande ou na claridade parca da madrugada. Encontravam, no avesso dos bolsos internos, os mantras com que se deliciaram um dia. Costurados. A linha resistente da distância fazendo-os mais fortes, aprisionados voluntariamente e para sempre aos forros do tempo que cumpririam ainda. Caminhavam através da chuva e molhavam lábios, faces, cílios. Deixavam-se encharcar mais. Ah, a chuva. Não pensavam em reminiscência, essa coisa única que resta aos velhos sem saída. Antes mantinham viva, apesar da vida, a lembrança. Como se fora hoje. Como será amanhã, o que ontem, apenas ontem, foi.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem: O beijo, Gustav Klimt)


sexta-feira, abril 24, 2009

Duas Histórias Estranhas e Algumas Alegrias

O Prêmio Arte y Pico foi concedido a este satélite pela Mara Faturi

Duas Histórias Estranhas

A vida é mesmo engraçada e nem sempre encontramos as respostas para o que ela nos apresenta. Ao menos não sem muitas horas de divã ou muitos kilômetros pedalados, ou o equivalente em horas caminhadas à beira-mar. Há quase um mês uma luminária despenca do teto sobre meu notebook e leva, junto com as fotos de todo o meu passado, mil textos e poemas jamais publicados, documentos, as aulas do semestre inteiro que está começando, palestras, teses, artigos científicos, artes, planilhas, contatos, agendas, mimos recebidos. Segundo o técnico, um dano físico esculhambou o
hard disk, e ele teve uma demência precoce e fulminante, a contrastar com a minha, tardia, incidiosa. Se tinha back-up? Claro que não. Estas coisas só acontecem aos outros, afinal de contas.

Peça nova instalada e uma semana acordando às 4h30min de cada madrugada para refazer as coisas mais urgentes, já que as viagens, os amores e outras delícias deveriam ficar mesmo na memória das retinas. Computador funcionando a pleno, algumas aulas e planilhas contábeis refeitas, outros endereços novamente obtidos e salvos. Passavam-se 14 dias do fatídico evento inicial. Na noite que iniciava, o computador aberto, o cálice de vinho recém-servido. E Theozinho, o gato-bebê recentemente deixado na porta de minha casa. Bastou uma borboleta entrar na noite de luzes acesas para o pequeno felino amarelo saltar sobre a mesa. Um dano químico, desta vez, matou a tal placa-mãe. Atingiu-o no coração. Dormiu para sempre, meu ébrio computador.
L'ordinateur ivre saudou o ano da França no Brasil.

Nestas alturas do surto de taquilalia, devem estar-se perguntando por que diabos conto estas coisas tão prosaicas a vocês, que nem gato têm, tampouco bebem vinho e até costumam fazer cópias de segurança de todas as suas preciosidades? Conto porque, neste período de turbulências, recebi uns mimos e sequer agradeci. Tento, agora, recuperar estas gafes que só não são imperdoáveis pela imensa generosidade das pessoas de quem falo.

Algumas Alegrias

Primeiro foi a Guilhermina. Escreveu, de uma maneira ímpar, um post que me deixou boba, envaidecida, deliciada. Só não fiquei "me achando" porque generosidade a gente sente de longe, e os elogios são obras da delicadeza destas pessoas, muito mais do que merecimento meu por qualquer escrito. Mas, olhem só se não era para ficar assim: "Odiei Cecília, a quem sequer conheço, por ousar saber de mim sem nunca ter me visto e ainda me emprestar as palavras das quais me esgueirei nos últimos anos, com esmero e atenção. Como ousa ela me contar em primeira pessoa, como quem fala de si? São delas as palavras que desprezei como minhas, as que não quis e evitei. Mas, se são dela, como podem doer em mim?" Ou então: "(...)Não soube o que buscava naqueles dois bancos da casa de Cecília, a autora, a dona das redondezas. Como ela, estrangeira, ousava vasculhar-me as entranhas como um robô laparoscópio? Entrando por minhas fendas, invadindo as vísceras... Como ousava, à distância, identificar minhas cicatrizes de não esquecimento?"

Depois foi a Mara Faturi. Depois de mil-e-um convites seguidos por mil-e-duas desmarcações de cafés, eventos, encontros (sim, sou bicho-do-mato e minha casa é sempre o meu melhor refúgio), ela ainda teve o carinho de indicar-me a um prêmio, que passo a descrever aqui. Mara, querida, nem sei o que dizer, nem sei. Um muito obrigada de coração e um upa forte ajudam a falar, quando as palavrinhas somem?

O prêmio Arte y Pico foi criado com o objetivo de premiar blogs pela criatividade, material interessante e por contribuir com a comunidade de blogs, em qualquer língua. Além disso, o blog que receber o prêmio deverá repassá-lo para outros cinco blogs, que deverão seguir as regras abaixo: 1. O vencedor deve escolher cinco blogs que considerar merecedores deste prêmio por sua criatividade, material interessante, e por contribuir com a comunidade de blogs em qualquer língua. 2. Cada um dos cinco blogs selecionados deve incluir o nome do autor e um link para o seu site a ser visitado pelos leitores. 3. O beneficiário deve mostrar o prêmio (copiando a imagem acima) e indicar o nome e o link para o blog que foi entregue. 4. Todos os beneficiários deste prêmio devem incluir um link para o blog Arte y Pico para informar os leitores sobre a origem deste prêmio.Como é esperado indico, abaixo, os cinco blogs que considero mega merecedores desse prêmio:

1 - O blog da Valéria que, não canso de dizer, é um dos blogs mais lindos que eu já vi. Se vocês forem até lá, entenderão logo do que estou falando.

2 - O Marcos Pardim, sua crônica tão engajada sem ser chata, e uma poesia delicada. Também por sua constância por estas paragens virtuais.

3 - O Fernando Rozano, um prazer de leitura, a pluma das palavras acariciando as imagens.

4 - O Douglas D, a quem escancaradamente invejo.

5 - A Márcia Cardeal, com quem quero aprender a arte da sutileza, um dia.

(Queria tanto entregar este prêmio a outras pessoas, poetas fantásticos, escritores maravilhosos, professores instigadores. Pessoas que me estimulam, que me fazem crescer, homens e mulheres que me ensinam a ser algo melhor. Ainda preciso retomar, eu sei, duas gafes mais antigas. No próximo post. Esperem por novidades nesta casinha.)

segunda-feira, abril 13, 2009

Gavinhas

O pai tinha umas vezes
uns arroubos de árvore
que se pensa eterna e
discursava claro
de dentro da esfera
quase mel-quase verde
dos seus olhos.

(eram olhos líquidos como o vinho)

Tinha umas coisas de
colono, depois do sermão
do padre.
Ou de oleiro que
se pensa Criador,
após modelar para mim
um estranho boneco
de barro.

Um dia,
debaixo das videiras, disse
- minha filha,
isso tu nunca que adivinha:
eu olho para as parreiras e
teus cachos têm
a mesma forma das gavinhas.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem, daqui)


domingo, abril 05, 2009

Nem

Nem que cessassem os tambores, se apagassem todas as luzes, nem que as cores emudecessem assim, de um momento para o outro. Não esqueceria. Nem que todos os deuses se dessem por derrotados e seus santos nomes fossem profanados, nem que os tempos houvessem chegado ao fim. Não esqueceria. Podia que o mundo desabasse de seus precipícios de desejo e saudade. Podia até. Que as verdades todas fossem abolidas. Que as tardes se sucedessem sem luares, sem auroras, sem manhãs. Não esqueceria. Mesmo que fizesses do teu silêncio o preciso alarde sobre o que nem sabes. Não esqueceria. Nem se me pedisses. Nem.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem: óleo sobre tela - Leonid Afremov)

sexta-feira, março 20, 2009

Rio dos Ameandros

“- Eu nunca fui tão silêncio (...) Dobrar-se de dor e não poder gemer. Eu nunca morri com tanta eficácia. Depois da treva, há mais treva, mais treva, mais treva...”
(Helga, personagem do Rio dos Ameandros)

(Texto: CeciLia Cassal)



quarta-feira, março 18, 2009

Certeza

O desejo é
.
uma certeza
.
que sempre
.
pergunta
.
de novo.
.
(texto e imagem: CeciLia Cassal - Fernando de Noronha, Brasil)

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Eu estrangeira

Eu não tenho a calma dos tempos contados, tenho medo. Um medo que descubro aos poucos em tamanho, em velocidade, em imprecisão. Um medo que é atravessar uma rua e não dar tempo, uma demora em ver. Um medo como algo crescendo entre minhas frestas, algo que não sei de que cor será ou se terá alguma, a forma, o cheiro, um medo tão absurdo que só estremeço dele quando fecho a porta sem que nenhuma arma tenha sido apontada. Por mim. Eu não tenho a calma dos tempos pensados. Eu tenho essa saudade, fenda em terremoto, ferida que não descansa, menino que chega e eu não sei como tocar, se algo em mim desintegra. É isso, eu não tenho calma, essa ascese a um nirvana que sequer cobiço. Só tenho saudade, que é como desaprender uma língua, um gosto, um acento familiar e nada mais ter depois disso: um breu. Um medo que é como profanar um lugar onde nunca estive. Um medo que é como rasgar uma bandeira, eu estrangeira.
(Texto e Imagem: CeciLia Cassal - Baía de Juan Grieco - Isla Margarita)

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Poderosas Passagens

A Passageira da Paixão,
- Peregrina em Pasárgada -
Pensa Promessas Pelos Postigos.
Perseguindo-as aos Pares
Projeta Plenitudes.
Prisioneira da Palavra,
A Passageira da Paixão
Passeia Por Perigosas Pautas.
Procura, no Porto,
Perdidas Paisagens.
A Passageira da Paixão
- Pescadora, no Passado –
Precisa Pertencimentos, Poderes,
Perfumes. Pisa Pétalas:
Paralelos Prazeres.
(Texto: CeciLia Cassal, Parodiando Press; Imagem: Renato de Carvalho)

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Esfinge Contemporânea

Ele a decifrou.

Nela, aumentaram as ganas

de devorá-lo.
(Texto: CeciLia Cassal Imagem: Sandra Marques)

segunda-feira, janeiro 19, 2009

As tempestades e os espelhos

Falo porque a ausência suscita sublimações impossíveis e a língua destrava, na solidão pretensa.
É no escuro rasgado de raios que os espelhos escondidos durante a tempestade projetam suas imagens mais verdadeiras. Acobertadas. Renegadas. Traídas. Cruas verdades. Perigosas verdades, saudades impossíveis.
(Ao esconder, (re)vela-se o furor
que assombra o conhecimento prévio
e completo de tudo o que precisa ser sabido.)
Entre cada relâmpago, não estamos sós. Problema da realidade, salvação do sonho.
(Texto e imagem: CeciLia Cassal)

Amigos, que 2009 seja tempo de bons silêncios inocentes. Obrigada por todas as suas mensagens neste tempo. Não sei promessas de retorno. Mas sigo lendo, lendo, lendo... até!) Abraços saudosos.

quarta-feira, novembro 26, 2008

(imagem: Vincent van Gogh)

terça-feira, novembro 11, 2008

Matéria

Silencia a cor nos lábios antes sedentos.

Reverbera apenas uma distância.

(onde os olhos, que não mais me seguem?)

É feita de uma outra ausência,
a matéria das saudades.
(texto: CeciLia Cassal imagem: Ricardo Rosário)

domingo, outubro 26, 2008

Justificativas

Há algum tempo ganhei esta imagem de presente da Valéria, artífice de um dos blogs mais lindos que eu já vi. Foi criada a partir de um poeminha desta que vos escreve publicado aqui. Tenham uma bela semana.


quarta-feira, outubro 22, 2008

Estrela, estrela - CeciLia convida

"Meu coração bate na ponta dos dedos, é alma de mosaico.
O cotidiano volátil modelado em bronze, esculturas de neblina, estrelas,figuras solitárias, reflexivas, fortes, frágeis, perplexas.
A vida com tantos segredos guardados; se desse para transformar tudo isso em brinquedos..."
Marilia Fayh

O resultado de um ano de e meio de trabalho duro – ela dedica, em média, seis horas de seu dia à escultura -, somado aos 25 anos de trajetória, poderá ser visto a partir do dia 28 de outubro, às 19h, na Galeria Casa Arte (Rua Cel. Bordini, 920), em Porto Alegre, quando Marilia Fayh inaugura sua nova exposição. A mostra reúne 23 peças em bronze, criadas entre 2007 e 2008 e poderá ser visitada até o próximo dia 20 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9 às 19h, aos sábados das 9h às 13h.

As figuras que Marília esculpe em bronze são, em sua totalidade, femininas e sugerem muito da artista: ”é o meu universo que modelo”, explica. Seu trabalho é despretensioso e reflete seu cotidiano. Não estão ligadas a uma tendência ou estilo.

As estrelas são ícones recorrentes nas peças de Marilia. “As estrelas mudam de lugar. Tudo é impermanente e isto pode ser visto sob uma ótica de brincadeira”, reflete. “A vida é criativa, muito mais criativa que a arte. A realidade sempre me surpreende pela sua diversidade, pelo inusitado. Então vou captando e exprimindo a vida com seus matizes cotidianos. Os impressionistas não se cansavam de retratar a mesma paisagem, apenas usando o recurso da luz em horários diversos. Assim, eu uso a linguagem da figura humana, nas suas muitas expressões ensolaradas ou sombrias”, analisa a artista.

Escultora, pintora e gravadora, natural de Porto Alegre, Marilia Fayh graduou-se em Publicidade, mas foi nas artes plásticas que encontrou o seu caminho. Em 1980, inicia o fazer da arte informalmente no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, sendo aluna de artistas consagrados. Abre seu atelier em 1995. Em seu currículo, constam exposições individuais e coletivas em várias cidades do Brasil e do Exterior, como Paris, Madri, Roma, Toronto, Berlim e Amsterdã. Em 2000, foi premiada com a Medalha de Ouro pela escultura de bronze “A décima Lua Cheia”, pelo Comite D’honneur du Mérite et Dévoument Français, em Paris.

Serviço:
O Quê: Nova exposição de Marilia Fayh. São 23 peças em bronze
Onde: Galeria Casa Arte (Rua Cel. Bordini, 920), Porto Alegre
Quando: Abertura dia 28 de outubro, às 19 horas.
Visitação: a partir de 29/10, de segunda a sexta-feira, das 9 às 19h e aos sábados das 9h às 13h.
Quanto: Entrada franca
Fotos: Zago
Informações: (51) 3013.1910 / 3013.1529
Contatos com a artista:
artfayh@terra.com.br Site: www.mariliafayh.com.br
Fones: 33384073 / 93193373
Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu (MTB 8679-4)- Fone: (51) 84016895