sexta-feira, setembro 05, 2008

Sobre a liberdade e outros renascimentos

O dia entrega-se-me em grãos opulentos de alvura e o sol me cumprimenta livre. Não há no mundo um tão numinoso momento. Para cheirar o mar. Olhar o mar. Voltar ao mar. Provar do vento morno que a noite não tratou de arrefecer em bondades delgadas sobre a pele de há muito intocada. O dia envolve-se de minhas alvuras e a areia me sentencia: livre. É vasta de arrepios a água quando explode nas pedras e é música de marola, quando volta e volta e volta. E volta para embalar o barco, para tocar os joelhos, para benzer dos dedos as pontas, aos dentros mais escondidos de sozinhez e escuridão passadas. E volta para ondular os cabelos e deitar luminosidades de prisma através das pestanas molhadas. Porque o dia assim vivido é grão, granada, gratitude, grandeza de horizonte, oração de tributo à plenitude. E é desassombro, descanso, esperança sem precisão de nada esperar. É prontidão ao destino que vier e é paz sem medida. Porque o sol me reconhece livre.
(texto e imagem: Cecilia Cassal - Mucuripe - Fortaleza - CE)

6 comentários:

  1. Bárbaro o ritmo que você imprimiu aqui. De uma boniteza impossível de esconder. beijos daqui

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  2. QUERI,

    Que belas imagens ( mar, grãos,poema)...ADOREI!!
    tautogramas? nome grandão,mas só quer dizer:poema que inicia e continua até o fim com a mesma inicial...
    bjão menininha linda!!

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  3. Anônimo9:45 PM

    estar-se em prontidão para o destino que vier é, das liberdades possíveis, uma das mais desejáveis. 1 beijo

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  4. Anônimo9:14 AM

    Belo como sempre soube. Te desejo muita paz!
    Re

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  5. legal, fostes bem longe, mas a linguagem e a precisão continuam as mesmas :)
    abraços
    Rubens

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  6. Anônimo1:14 AM

    Grande poder de descrição. A descrição, essa ferramenta meio banal da arte das palavras, encontra em ti uma força para a renovação. E então passa a ser mais que descrição. Passa a presença, personagem, ação em silêncio.

    Beijos.

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