sexta-feira, janeiro 18, 2008

Nas torres da alfândega

Nunca tive as imunidades
necessárias para transpor
fronteiras: contrabandeio idéias.

Sempre faltou uma marca
que ainda não houvera sido feita.
E tive medo, todas as vezes
quando a procuraram.

Bem cedo tentaram forjá-la,
riscá-la sem fogo mas com força
nas peles de dentro para fora:
sou tão ruim que nem
cicatrizes crio, me diziam.

Hoje aceno aos guardas
porque permitem-me
as passagens. Não carreio
pestes: sou outro tipo
de clandestina.
(imagem: Ponte sobre o Rio Jaguarão. Desconheço o autor, repassada pela Márcia Rockett)

6 comentários:

  1. Cecilia!
    Excelente poema!
    Beijos,
    *CC*

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  2. oi "clandestina",
    lindo poema...
    eu? aproveitando as férias e navegando por mares poéticos de areias cor-de-rosa,
    bjo!

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  3. poema que rasga as entranhas
    e cicatriza o silêncio.

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  4. Anônimo6:21 PM

    sobre cantiga para o recomeço e nas torres da alfândega decerto que me seriam abundantes as palavras, mas contento-me em te dizer de minha imensa alegria em vir aqui e encontrar a lua em libra calibrada de literatura. 1 bj.

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  5. Lindo poema. Forte. Linda foto. Grata pela visita. Hoje coloquei uma foto do Guaiba no blog, num poema amanhecido...
    Abraço e boa noite,
    Meriam

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  6. Todos temos nossos momentos de parada e retomada do caminho - que, a rigor, não cessa de ser trilhado, Cecilia. O poema é belo!
    Abraço!

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